De uns tempos pra cá vi crescer uma vontade curiosa de participar de oficinas de teatro. A princípio somente para quebrar a casca de timidez que tenho moldada sobre minha espontaneidade, e ultimamente por um apreço mais deliberado pela arte.
Não acho que algum dia eu realmente suba num palco. No entanto, há personagens dos quais eu já atuei.
Essa prática foi muito desenvolvida em tempos de "procura por uma identidade".
Minha casa ficava longe da dos amigos. Era indispensável para manter relações que eu passasse (todos) os finais de semana fora.
Depois de horas e horas metidos em algum mato, com a cabeça nas nuvens e no verde, voltávamos para casa (eu adotara o lar desse amigo, Dri, como minha, por conveniência). Então os atores entravam em cena... Vínhamos aos tropeços e gargalhadas ensaiando a peça.
- Vai, eu sou minha mãe, conversa algo comigo.
- Boa noite dona Júlia! Hum, puta larica! Que cheiro bom! – Rolávamos de rir entre socos...
- Cala a boca! Eu sou sua mãe, caralho! Onde vocês estavam? – Com seriedade de mãe, indefectível.
- Nada, a gente tava estudando.
- Essa hora? Sem caderno? Você acha que eu sou otário?
- Então a gente tava jogando bola?
- Genial! Quer dizer, sei... Jogando bola?
Ríamos da comédia. Sem fôlego chegávamos ao portãozinho, que não perdoava.
- É agora! Ação hein.
Pausa pra respirar fundo. Endireitávamos o rosto e subíamos a escada.
Atores. Atores perfeitos. Jantávamos junto com toda a família desembaraçadamente, até demais, desempenhando nossos papéis de bons filhos e devorando as panelas até o fundo.
Nossa farsa chegou a ser tão convincente que passamos a jogar bola durante as viagens no mato.
apesar de subjetivo, creio ter pego uns pedaços da historia...
ResponderExcluirachei bom. Mesmo.