Domingo, noite, dez e pouco, esperando a partida do ônibus já em meu assento depois de um cinema, retira-me a atenção de uma leitura alguém, visivelmente bêbado, que pergunta o destino do veículo. Perdi toda concentração em seguida pela graça da situação: o sujeito encontrava-se no lado oposto do terminal, completamente perdido. Desceu finalmente, todo desajeitado, e rumou ao seu destino.
Após longo passo o sujeito para e inicia um trabalho minucioso para colocar nas costas sua mochila, aberta. – A essa altura eu já me entregara completamente à observação da epopeia. Com a mão direita, segura a mochila erguida acima da cabeça, pela alçinha central. Equilibrando-se, gira em torno de si mesmo com o braço esquerdo esticado, gira até que este engancha na alça. Agora a mão enganchada segura a alçinha, o cotovelo lá em cima, um giropío, sentido anti-horário agora, o segundo braço entra.
O bêbado fica então alguns segundos, parado (do meu ponto de vista) tentando se localizar.
Seu olhar sem foco parece de repente encontrar no vazio o caminho.
Apalpa os bolsos dianteiros da calça; apalpa os traseiros; torna a apalpar os dianteiros e encontra-o no esquerdo. Com o corpo equilibrado sobre o pé de apoio retira do bolso um maço de Derby Azul.
Figurava como se não houvesse mais direção ou ônibus a se encontrar. Como se não houvesse mesmo um terminal lhe atrapalhando. Assumiu uma postura de desdenho ante a correção. Não estava mais bêbado tentando enquadrar-se às linhas, ou ao tempo. Assumiu-se a si mesmo como medida. Então, tranquilamente levou o cigarro torto à boca, tentou com paciência uma, duas vezes e acendeu seu cigarro. E de queixo empinado baforou-o, com visível sentimento de quem sabe o que faz.
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