A maior vantagem de se morar próximo ao trabalho é certamente a cochilada de depois do almoço... E o almoço fresquinho. E a cochilada depois. Mas o que eu quero contar é sobre as desvantagens de se morar assim.
Para alguém que adora observar causos e pessoas a mesma calçada e o mesmo latido filhodaputa todos os dias não inspiram muito... Eu, por sorte, aos finais de semana faço minha viagem a Castel Gandolfo, à casa do papai e da mamãe, doce lar...
Pois, é normalmente nos ônibus da vida que as melhores crônicas acontecem. No dia desta eu trabalhara extraordinariamente por mais de doze horas! Aí que Murphy entra: tomei a porra do ônibus errado!
Xinguei, xinguei, xinguei, xinguei, xinguei, desci no terminal pra tomar outro ônibus. A um canto, isolado, longe da área de embarque onde as pessoas se amontoam, um vento forte me bate no rosto e me devolve a sensibilidade... “Que se foda, André, logo você vai tomar uma cerveja BEM GELADA!”, pensei. Aquilo me animou.
Enquanto isso, do outro lado da plataforma, cobrador e motorista brigavam com a alavanca para embarcar deficientes físicos. Apertavam botão, o negócio parava no meio do caminho, apertavam outro, o negócio não ia, até que o próprio cadeirante (visivelmente retardado mental) se pôs a gritar: “primeiro o botão verde! primeiro o botão verde!”, e dar risada da incapacidade dos dois “manés”. Trocaram o ônibus para atender ao rapaz.
Com o atraso a quantidade de passageiros aumentara muito e, como estamos no BRASIL, logo que o ônibus encostou todos se empurraram para dentro, o cadeirante que se fodesse!
“Vão mais pra trás aí!”, gritava o cobrador já de saco cheio pelo “trabalho que o menino estava dando”, e nenhum puto se mexia, claro...
Apesar da minha postura civilizada de esperar o garoto se acomodar pra depois tomar o lugar que me coubesse, eu francamente pensava: “que puta que pariu! Tomara que eu desça antes dele!”.
Claro que não. No meio do caminho toca parar o ônibus, descerem motorista e cobrador para desembarcar o amigo.
Ahhh, quanto a aprender...
De novo nenhum filho da puta se mexeu para ajudar o “coitado”. O cobrador já estava ficando maluco e ficou quando o botão não quis funcionar. De novo. O bicho resmungava audivelmente: “só pode ser uma brincadeira!”, e o moço da cadeira dava risada: “primeiro o botão verde! primeiro o botão verde!”... O cobrador fazia cara de quem ia esganar o retardado!!
Quando finalmente o menino deixou de ser um problema, do lado de fora, e todos se aliviaram, ele gritou: “aprendeu??”.
Pô André...
ResponderExcluireu e o Zé morremos de rir...
realmente, as melhores crônicas acontecem na desgraça, uma bela mistura de tragédia e comédia mas a gente só ri mesmo depois que a tragédia se foi, né?