Chove. Os viadutos da cidade servem de abrigo para funcionários públicos jogarem truco. De trás do vidro embaçado do carro me escapa uma risada besta: “esses bichos são folgados”, penso, “fazem bosta nenhuma!”. A risada é por outro motivo.
Lá em casa as janelas são muito grandes e os passarinhos vivem batendo com a cabeça nos vidros. Alguns batem com tanta força que morrem imediatamente. Na casa há tantas janelas que dispensam o uso de porta. Por consequência, o portão de entrada também vive aberto. Às vezes, quando chove, algum desses funcionários esquece sua marmita na garagem...
Essa tranquila displicência não é privilégio da casa e suas janelas abertas para o horizonte em verde mato e os visitantes ilustres. O portão antigo da Barão de Teffé também escapava à nossa vigilância.
As crianças ficavam sozinhas por um período e a falta de quintal as punha na frente da tevê. Ficavam muito bem, obrigado, até a irmã mais velha chegar!!! Furiosa, passa a mão no telefone: “PAAAAAI, corre”. Não houve “ahh, mas ele” que aplacasse a censura: "Crianças, entendam, mendigos só podem assistir tevê junto com a autorização do papai e a mamãe"...
André,
ResponderExcluiressa devia chamar "Retrato de família".
Adoro vocês. Nilza.
hehe, aceitei sua sugestão, Nilza... tudo a ver!
ResponderExcluirBjão e obrigado pela visita!!