terça-feira, 16 de novembro de 2010

Retrato de família

Chove. Os viadutos da cidade servem de abrigo para funcionários públicos jogarem truco. De trás do vidro embaçado do carro me escapa uma risada besta: “esses bichos são folgados”, penso, “fazem bosta nenhuma!”. A risada é por outro motivo.

Lá em casa as janelas são muito grandes e os passarinhos vivem batendo com a cabeça nos vidros. Alguns batem com tanta força que morrem imediatamente. Na casa há tantas janelas que dispensam o uso de porta. Por consequência, o portão de entrada também vive aberto. Às vezes, quando chove, algum desses funcionários esquece sua marmita na garagem...

Essa tranquila displicência não é privilégio da casa e suas janelas abertas para o horizonte em verde mato e os visitantes ilustres. O portão antigo da Barão de Teffé também escapava à nossa vigilância.

As crianças ficavam sozinhas por um período e a falta de quintal as punha na frente da tevê. Ficavam muito bem, obrigado, até a irmã mais velha chegar!!! Furiosa, passa a mão no telefone: “PAAAAAI, corre”. Não houve “ahh, mas ele” que aplacasse a censura: "Crianças, entendam, mendigos só podem assistir tevê junto com a autorização do papai e a mamãe"...

2 comentários:

  1. André,
    essa devia chamar "Retrato de família".
    Adoro vocês. Nilza.

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  2. hehe, aceitei sua sugestão, Nilza... tudo a ver!
    Bjão e obrigado pela visita!!

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